Filha da Ilusão: ocultismo, truques de mágica e Houdini

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capa filha da ilusão teri brown, editora valentina, pipoca musical

Meus próprios dons, tão íntimos para mim quanto minha própria pele, parecem estar mudando, crescendo e se transformando em algo que não reconheço mais.

Filha da Ilusão (adicione ao Skoob) é uma história que mistura ocultismo, ilusionismo e mágica em sua narrativa, e conta com vários detalhes empolgantes para fazer uma história que pode agradar fãs do gênero.

Nova York da década de 1920. Marguerite é uma atriz que ganha a vida realizando shows de mágica, ilusionismo e sessões espíritas, tudo na base do truque e com a ajuda de sua filha e assistente, Anna Van Housen. Seu nome foi promovido, em parte, graças ao rumor de que Anna é filha ilegítima do ilusionista Houdini.

anna van housen, filha da ilusão teri brown, editora valentina, pipoca musical

(…) eu vinha assistindo a mágicos do segundo time praticarem havia anos, e levava jeito para a prestidigitação. Outra prova, minha mãe insistia, da identidade do meu pai. Meu talento nunca bastava. Santo Deus, não mesmo. Sempre era uma consequência da minha filiação.

No entanto, Anna – nossa protagonista – é uma garota com talentos autênticos: ela consegue falar com os mortos, tem visões inalteráveis do futuro e também sente as emoções das pessoas com quem se conecta através de toque. Tudo isso parece estar na potência máxima nos últimos dias, e ela não compartilha o segredo com ninguém com medo de ser usada pela própria mãe para fazer fama e dinheiro (ou de ser tirada de cena).

Você nem imagina como a mãe dela é ciumenta, teatral e manipuladora. Nem Anna aguenta. Mas ela a ama o suficiente para se preocupar com as visões que vem tendo, sempre relacionada à segurança das duas. Que sua profissão é arriscada Anna já sabe (já fugiram da polícia, sumiram de cidades e se perguntaram o que comeriam aquele dia na janta), mas o perigo agora parece muito próximo. Enquanto tenta entender o significado da visão e também desenvolver seus talentos de forma natural e controlada, Anna conhece Cole Archer, um rapaz europeu que se mudou para o seu edifício, e parece poder ajudá-la nisso.

capitulo 13 filha da ilusão teri brown, editora valentina, pipoca musical

Titanic. A palavra ecoa em minha mente, evocando a lembrança de minha primeira visão (…) gente correndo, gritando, se afogando nas águas negras e geladas. (…) Embora aquele momento tenha sido aterrorizante, não foi nada comparado com o horror que senti ao ver as manchetes no jornal dando vida à minha visão.

E o Houdini, aparece? Aparece. Ele está em Nova York e promove shows que ajudam a desmascarar charlatões disfarçados de paranormais – uma ameaça ao estilo de vida de Marguerite e Anna. No tempo em que viveu, Houdini fez sua carreira e realmente trabalhou arduamente para trazer os farsantes ao público. Esse detalhe da vida do escapista também é usado como recurso em Filha da Ilusão, criando momentos interessantes entre os dois talentosos ilusionistas.

Algumas questões relacionadas à ambientação me incomodaram um pouco: você sabe que era muito comum o cavalheiro ceder o braço para a dama na rua, certo? A autora verbalizou essa ação tantas vezes que ficava cansativo e repetitivo ler aquilo toda vez que um homem e uma mulher se encontravam em cena. Isso poderia ter sido suprimido, ou substituído por outras ações e detalhes que denunciassem a época. O mesmo para a quantidade de vezes em que somos lembrados que Anna e Marguerite não se dão bem: isso está tão implícito nas atitudes e olhares das duas, que não era necessário reforçar 2423424 vezes.

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– Pelo que pude constatar – diz ele, arqueando uma sobrancelha -, o clarividente está, de fato, vendo o que vai acontecer, não o que poderia acontecer. Disseram-se que ver o futuro é muito parecido com recordar o passado, o que se vê é imutável.

Ainda assim, gostei bastante de Filha da Ilusão. A forma como a autora conectou tantos detalhes curiosos sobre magia, sociedade e sentimento; e por ter colocado Houdini e Anna frente à frente, em situações muito legais. O background é sensacional. Ele salva o plot.

Eu lidava aqui com altas expectativas em cima de Filha da Ilusão. Algumas resenhas estrangeiras o citavam como um steampunk muito empolgante, e eu fiquei com essa informação na cabeça por um ano inteiro enquanto a Valentina trabalhava na edição nacional. Até que o livro veio, eu comecei a ler e não tinha nada a ver com steampunk. Mas não importou muito no fim das contas, porque a Teri Brown fez uma história muito maneira na Nova York da década de 1920.

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Série Herdeiros da Magia

A série de Teri Brown tem dois volumes e um conto publicados oficialmente. Especula-se uma terceira obra, mas a autora não apresentou data, título, plot, nada relacionado à história. Abaixo a ordem dos títulos, para quem quiser acompanhar:

(#1) Filha da Ilusão (Born of Illusion);
(#1,5) Filha da Corrupção (conto – tradução livre e não confirmada de Born of Corruption);
(#2) Filha da Decepção (tradução livre e não confirmada de Born of Deception).

A leitura de Filha da Ilusão flui rapidinho. Quero acompanhar a série e ver o que a Anna ainda vai enfrentar, e tenho certeza que mais pessoas vão me acompanhar nessa. Ah, e vale dizer uma coisa: a capa brasileira dá de 42342342342 a zero na original. Just saying.

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Filha da Ilusão foi cedido pela Editora Valentina pela parceria com o Pipoca Musical. Acompanhe as novidades da Editora nos canais:
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Ficha Técnica

Título: Filha da Ilusão (Herdeiros da Magia # 1)
Autora: Teri Brown (@terribrownwrites)
Editora: Valentina
Gênero: Urban Fantasy, Young Adult
Páginas: 288
Ano: 2014 (original: 2013)
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