Proibido, uma história sobre amor e falta de compreensão

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A que altura uma mosca desiste de tentar fugir por uma janela fechada? Será que o instinto de sobrevivência a leva a insistir até não ser mais fisicamente capaz, ou ela finalmente aprende, depois da enésima trombada, que não há saída? A que altura você decide que já chega?

Hoje preciso falar sobre um livro que me tomou poucas horas de um sábado preguiçoso, que me conquistou já no início porque tenho empatia suficiente para me sentir tocada com uma história tão triste – e bonita – sobre amor e família. Proibido (adicione ao Skoob) é o livro de Tabitha Suzuma que já arrebatou diversos prêmios, e chegou ao Brasil pelas mãos da Editora Valentina (auf, auf! <3). [LEIA +: Britânica Tabitha Suzuma romanceia sua experiência com a depressão]

Com pouco menos de um ano de publicação, é certo que muitos de vocês já ouviram falar sobre o tema “principal” de Proibido (e correram atrás, ou se afastaram, do livro exatamente por isso), mas quero dizer que, apesar de eu mesma ter acreditado que isso era o principal, Proibido foi surpreendente porque me entregou mais, muito mais!, do que uma história sobre amor entre dois irmãos.

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Porque no final do dia, que é o que todos nós estamos tentando fazer: se ajustar, de uma forma ou de outra, tentando desesperadamente fingir que somos todos iguais.

Narrado em primeira pessoa, o livro alterna os capítulos entre Lochan e Maya Whitely, irmãos de 17 e 16 anos, respectivamente, que cuidam da casa e dos irmãos mais novos com tantas – ou mais – responsabilidades que uma pessoa adulta. A mãe ausente, que bebe dia sim e outro também troca de namorado como troca de roupa, passa dias fora de casa ou vomitando no banheiro; e o pai já largou a família anos atrás, mudando-se para longe para começar uma nova vida com outra mulher.

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O corpo humano precisa de um fluxo constante de alimentos, ar e amor para sobreviver. Sem Maya eu perco os três. Morro lentamente.

Nenhum dos dois serve minimamente como referência parental, então Maya e Lochie fazem o melhor que podem para cuidar da casa, das crianças e ainda estudar. Fazem o café, limpam a casa, vão ao mercado, buscam as crianças, estudam para provas, ajudam as crianças a estudarem também, brincam com elas, minimizam a ausência da mãe como podem. E, claro o desafio maior: escondem do conselho tutelar que eles passam a maior parte do tempo sozinhos em casa, sem a mãe bêbada por perto, para evitar que sejam separados e descartados em orfanatos.

E com essas tarefas todas tomando cada minuto do seu dia, os dois irmãos se percebem apaixonados. Pelas circunstâncias ou pelo amor verdadeiro, não importa. Eles estão apaixonados e isso é algo que eles precisam lidar. Parece correto para eles, mas aos olhos da sociedade, da religião e da lei – especialmente por serem menores de idade – é proibido. No livro, se forem pegos, eles terão a família toda separada e a mera possibilidade de isso acontecer faz com eles pensem e repensem isso a todo momento.

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Nós não fizemos nada de errado! Como o nosso amor pode ser considerado horrível, quando não estamos fazendo mal a ninguém?

Algumas pequenas coisas me incomodaram no livro, pequenas mesmo. Personagens que aparentemente fariam algo, simplesmente sumiram; personagens que eu jamais esperaria nenhuma ação tomando atitudes repentinas e um pouco incoerentes; pequenas conquistas serem mencionadas rapidamente em uma frase como se fossem banais. Mas são detalhes, nada que comprometa a leitura.

Proibido é um livro sobre família e sobre amor – puro, incondicional, daqueles que poucos entendem -, mas também sobre falta de compreensão e apoio. É sobre uma família que precisa de ajuda, mas não pode pedir ajuda. É sobre um casal que se ama, mas não pode se amar livremente. É sobre adolescentes que precisam de carinho, mas não podem contar com os outros. E é por isso que ele dói tanto. Por toda a negação, a privação, a proibição. É por isso que a gente fica com uma sensação de impotência (tal como experimentei em Os 13 Porquês, inclusive). O livro fica pesado – por piscar constantemente para a depressão, a dor, a sensação de abandono familiar – e não diminui o peso com o folhear das páginas.

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Eu me recuso a permitir que um rótulo do mundo exterior estrague o dia mais feliz da minha vida. O dia em que beijei o homem que sempre abracei em meus sonhos, mas nunca me permiti ver. O dia em que finalmente parei de mentir para mim mesma, parei de fingir que era apenas um tipo de amor que sentia por ele, quando na verdade eram todos os tipos possíveis e imagináveis de amor. O dia em que finalmente nos libertamos das nossas amarras e demos vazão aos sentimentos que havíamos negado por tanto tempo, apenas porque por acaso somos irmão e irmã.

Pode ser bastante fácil apontar o dedo para os outros e dizer que isso “é imoral, sujo, esquisito”, etc, etc, etc, mas o livro nos coloca para pensar. E se? Ao final, você provavelmente vai esquecer que os dois são irmãos, porque o amor de Lochan e Maya é mais puro que o de muitos casais que traem, mentem, chantageiam e agridem. Quem somos nós para julgar? Sério. Quem?

Acho que esse é o principal valor da ficção: colocar a nossa mente para funcionar. Sem enaltecer ou ignorar os fatos. Sem tentar, de forma extremista, impor a sua opinião e crença acima de tudo e todos. Apenas refletir.

Algum livro já fez isso com você?

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Proibido foi cedido pela Editora Valentina como cortesia para o Pipoca Musical. Acompanhe as novidades da Editora nos canais:
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Ficha Técnica

Título: Proibido
Autora: Tabitha Suzuma
Ano: 2014
Páginas: 304
Compre: Submarino | Americanas
Skoob: adicione à estante

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Comentários

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13 comentários via blog

  1. OI! Tô de volta.

    Li Proibido logo que saiu, tinha muita curiosidade justamente por causa da premissa diferente e inesperada. Eu fiquei muito impressionado quando encontrei um livro bem diferente do que imaginava. O modo como ela teceu a história dos irmãos foi bem diferente, tiveram motivos e causas, não foi algo posto sem pensar previamente.

    Tu conseguiu colocar tudo que eu falo desse livro, e muito mais. Incrível, tia!

    Beijo,
    Italo – http://www.leitorespossessivos.com.br

    1. É verdade, Italo, ela fez com que a gente realmente se importasse com os dois e deixasse qualquer preconceito bobo de lado. Uma frase que me marcou muito é quando a Maya pergunta pq o amor deles seria considerado sujo se não estavam machucando ninguém. É ISSO, sabe. :/ Dói ver a forma como hj em dia qualquer escolha que vc faz é ultra-super-julgada por todo mundo. Nham.

      Beijos, querido, obrigada por insistir hahaha.

  2. Pipoca, esse livro é mesmo arrebatador! Uma história intensa e comovente, né?
    Que bom que gostou!
    Foi uma grande escolha da Valentina! :)

    Beijos!!!

    1. Foi uma ótima escolha mesmo, falei pro menino Italo que eu o coloquei na Tríade Valentina, ao lado de Passarinha e Fale! <333 bjs!

  3. Ana Caroline comentou em

    Oi, Raquel ♥ Já estava interessada pela história e depois dessa maravilhosa resenha tenho certeza que irei acrescentar à minha lista de leituras!

    1. Acrescente, Ana! Foi uma leitura surpreendente, delicada em sua pureza e bastante pesada na temática. Vale o tempo <3 Beijos!

  4. Olá Raquel!

    Quando encontrei Proibido em algumas estantes virtuais do Skoob fiquei logo curiosa e corri para dar uma olhada sobre o que o mesmo abordava, e o tema me chocou um pouco, mais fiquei intrigada e decidi ler. E não me arrependi de tal escolha, que livro maravilhoso, uma istória de amor única, linda, profunda e triste.
    O livro mexeu muito com meus sentimentos, mais me apaixonei pela história desses irmãos.
    Sua resenha está incrível, não deixou nada de fora.
    Inclusive seu blog inteiro é incrível!

    Beijos!

    1. Obrigada pelo carinho e pelo comentário, Nathalya. Proibido é uma história muito delicada e que aborda o amor na forma mais pura, apesar do que a sociedade diz que é sujo. Interessante que faz a gente se questionar o tempo todo. Podemos concordar com o romance dos dois aqui, mas e quando vemos (e se) vemos isso na sociedade, qual seria nossa reação? O papel da literatura é fazer a gente se questionar, e a Tabitha fez isso com louvor, né? <3

      Beijão!

  5. Idalir comentou em

    Estou lendo o livro e estou amando. A sensibilidade como foi escrito o deixa de ser proibido.
    Primorosa sua resenha.

    1. Deixa de ser proibido mesmo <3 Obrigada pelo carinho! Beijos.

  6. Estou lendo esse livro, e com poucos capítulos já me sinto destruída, livro incrível. Sem palavras… Amei a resenha <3

    1. Nem me fale, eu li rapidinho mas meu coração se partia a cada momento :(