Era da Ferrugem: origem, possibilidades criativas e música

Por Raquel Moritz em - 0 comentários

Era da Ferrugem foi uma das primeiras web comics que li e fui imediatamente fisgada pela narrativa criada pelo Samuel Fonseca, por conta das músicas e, principalmente, da arte – uma página mais bonita do que a outra.


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Gostei um bocado de tudo que vi e, por conta dos inúmeros comentários que recebi nos vídeos e nas redes sociais de leitores que curtiram a proposta e viciaram no Piet, resolvi trocar uma ideia com o autor da web comic para trazer algumas curiosidades pra você.

Origem e possibilidades criativas nas web comics

A vontade de fazer Era da Ferrugem veio depois que Samuel Fonseca terminou sua primeira graphic novel, “Dinamite & Raio Laser – Zero”, que saiu pela editora Devir e até ganhou um Troféu HQMix. Essa é uma HQ para todas as idades, então Samuel decidiu fazer uma pausa nesse projeto para tentar algo mais maduro. “Era da Ferrugem é o resultado de várias coisas que estavam ‘fermentando’ na cabeça já havia bastante tempo e tem influências diversas de uma porção de coisas de que gosto muito – filmes, livros, games e músicas, para citar algumas – livremente manipuladas”, comenta Samuel.

Antes de começar a desenhar as páginas, o autor delineou a história de todas as três temporadas. “Fazer o primeiro episódio foi bem desafiador e olha que nem estou falando de produzir nos tempos vagos entre trabalho e estudos”, diz o artista que aprendeu muito nesse processo e viu seu traço evoluir e amadurecer ao longo do tempo.

Ao finalizar a primeira temporada, Samuel parou para analisar erros e acertos. “A maioria das pessoas parece ter gostado bastante e eu fico muito feliz com isso mas, quando você é o autor, acho, você sente onde acertou e onde errou. Mesmo assim, me orgulho e gostei bastante do resultado dessa primeira parte da trilogia.”

Troquei uma ideia sobre web comics com alguns artistas na Bienal de Quadrinhos e, ao perguntar para o Samuel quais possibilidades criativas esse formato oferece, ele me disse algo que ecoou lá do evento – “é uma saída inteligente para o quadrinhista independente que não tem apoio de editoras, tem poucos putos no bolso e muita vontade de contar sua história. Se eu tivesse putos no bolso ou apoio de uma editora, provavelmente, teria lançado impresso direto; não ter esse apoio e não ter a grana, talvez, tenha sido ótimo.”

Era da Ferrugem, web comic de Samuel Fonseca

Músicas e expectativas com a série

Vale lembrar que Era da Ferrugem também trabalha com gifs e músicas ao longo da leitura, algo que dificilmente seria reproduzido de uma maneira bacana no formato impresso. Nem todos os QRCodes e links amigáveis do mundo tornariam a leitura natural. “A internet aceita qualquer porcaria. Não que o Era seja uma porcaria, o Era é legal”, brinca Samuel.

As músicas e animações planejadas para cada episódio foram surgindo de maneira natural. “Eu poderia puxar muitas músicas do meu acervo pessoal, mas encarei fazer o Era como uma oportunidade em melhorar minha capacidade em compor, também”, diz Samuel que, além de escrever, ilustrar e colorir, é músico autodidata. Todas as composições são originais e exclusivas da web comic e têm tudo a ver com as páginas. E, como o formato permite, é muito legal ver que o protagonista dá play em uma música no celular e a gente pode escutar também.

Era da Ferrugem, web comic de Samuel Fonseca

“‘Preciso fazer um solo de guitarra muito rapidinho nessa parte pra ficar legal’, então eu quebro a cabeça, já que eu não treino guitarra toda hora. ‘Preciso tentar fazer uma orquestração maneira nessa outra parte’, outro desafio, já que nunca havia feito. Na verdade, esse é o meu método. Na escola Samuel Fonseca de música você não sabe ler partituras, mas o professor pode chegar e falar ‘faça a música tema pra essa garota feliz e cheia de energia positiva’ e você ia, primeiro, cantarolar a música um pouco, passaria a melodia para o teclado, colocaria uma harmonia… Ia ver que a harmonia deixou a melodia uma porcaria ininteligível e ia começar a harmonia de novo… Depois ia colocar uns outros instrumentos… É bem assim. Parece muito com montar lego. Mixar e masterizar é a pior parte – é um pesadelo, mas estou melhorando nisso também”, comenta o quadrinhista.

Fazer a trilha sonora deixa o projeto ainda mais pessoal, e Samuel parece gostar muito de cada etapa de tudo. “Menos a masterização, claro. Masterizar uma faixa é o 13° trabalho para Hércules”, brinca.

Era da Ferrugem, web comic de Samuel Fonseca

Quando pergunto ao Samuel o que ele espera de Era da Ferrugem, ele diz que gostaria que as pessoas curtissem a viagem. “Claro que uma dessas pessoas poderia ser um editor de livros ou um produtor multimilionário, mas eu faço porque eu adoro fazer – e o que eu espero, de verdade, é fazer o que eu adoro cada vez melhor. Não tem nenhum crítico de Era da Ferrugem mais exigente do que eu mesmo”, complementa.

E já que a segunda temporada está sendo produzida no momento, Samuel Fonseca já avisa: “a coisa na Era da Ferrugem vai ficar estranha, macabra e vai fazer muita gente ficar tão bolada de medo que vai querer desistir de ler, mas eu gosto de tentar passar algo bom com os personagens. Eu espero que eu tenha a capacidade para as pessoas conseguirem desvendar essas coisas em meio a tantas outras grotescas e cruéis.”

Samuel Fonseca criou um projeto no apoia.se para que os leitores de Era da Ferrugem possam apoiá-lo mensalmente com a quantia que desejarem. Pode ser o valor que você achar justo – toda a verba ajuda Samuel a dedicar cada vez mais tempo para a web comic – ao invés dos famosos freelas para pagar as contas. O seu pequeno incentivo pode ser fundamental para a série caminhar mais rápido. :)

Samuel Fonseca, autor de Era da Ferrugem

QUATRO DICAS PARA OS LEITORES DO BLOG

Por Samuel Fonseca

UMA BANDA

Blind Guardian - 1998
“Minha banda favorita de todos os tempos, Blind Guardian – mesmo tendo muita preferência pelos álbuns até o Nightfall in Middle Earth que, pra quem não conhece, eu recomendo. Se você gosta de o Silmarillion (JRR Tolkien), então, melhor ainda.”

UM LIVRO

O Hobbit (livro)
O Hobbit (J.R.R. Tolkien). Blind Guardian, depois O Hobbit… sim, parece que há um padrão aqui. O Hobbit foi o primeiro livro que li onde me senti assistindo a uma aventura. Li antes de O Senhor dos Anéis, devia ter uns 12 anos e, pela primeira vez, estava lendo um livro “mais longo” que não era minha obrigação da escola e estava adorando cada página. Eu curto muito, também, como o autor usou os acontecimentos desse livro infantil para o que viria a ser sua consagração depois. Adoro essas menções e ligações que expandem um universo.”

UMA HQ

HQ Vagabond
Vagabond. Sou fã do traço do Takehiko Inoue e da narrativa dele. Ler Vagabond é uma experiência de imersão total pra mim.”

UM FILME

O Bebê de Rosemary
O Bebê de Rosemary. Gosto dos filmes “sobrenaturais” do Polanski e gosto também do ritmo deles. Tem muita gente que acha paradão e tal, mas acho que são muito eficientes em produzir uma ambientação de “mas que merda toda é essa? isso está muito esquisito, muito esquisito”. Adoro isso e acho que ele faz muito, muito bem. Fico imerso, também.”

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