Entrevista com Kimberly Bradley, autora de A Guerra que Salvou a Minha Vida

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A GUERRA QUE SALVOU A MINHA VIDA

Imagine uma vida tão difícil e ruim que uma das maiores tragédias da História acaba se tornando algo bom pra você. Essa é a vida da Ada, uma menina de 10 anos que, por ter nascido com o pé torto, vive presa em casa sendo mal tratada diariamente pela própria mãe. O grande alívio da vida de Ada é saber que a guerra se aproxima e, com ela, a possibilidade de fugir da vida que tem.

Essa é a história do mais novo livro DarkLove® da Darkside Books, escrito por Kimberly Brubaker Bradley. A autora já tem mais de 16 livros publicados, mas A Guerra que Salvou a Minha Vida é o primeiro romance lançado fora dos EUA.

Graças à DarkSide®, pude conversar com a autora sobre como foi escrever uma história tão delicada e emocionante e rolou até dica para quem quer ser escritor. Confira a entrevista completa abaixo e não deixe de compartilhar o post com seus amigos leitores. O livro será lançado no dia 20 de março e você já pode garantir o seu exemplar na pré-venda. :)

KIMBERLY BRADLEY, autora DarkLove

ENTREVISTA COM KIMBERLY BRADLEY

Bruna M.: Primeiro de tudo, muito obrigada por tirar um tempo para conversar comigo sobre o seu trabalho. Minha primeira pergunta é a seguinte: Você é apaixonada por cavalos e andar à cavalo e no livro a Ada aprende a cavalgar também. Dividir um pouco dessa sua paixão com a personagem foi algo planejado ou aconteceu naturalmente?
Kimberly Bradley: Bom, assim que eu soube que a Ada teria o pé torto e uma mobilidade reduzida, os cavalos se mostraram a solução mais óbvia para lhe dar liberdade. Quando a Ada chega no interior, ela se sente muito rejeitada e tem dificuldades para ter um relacionamento com uma pessoa; mas é bem mais fácil com um cavalo. Eu acho que eu dei cavalos à Ada porque eu entendo como eles poderiam ajudá-la. Eles me ajudam também, mas de maneiras diferentes.

BM: Tem algum outro traço da sua personalidade ou vida pessoal que influenciou seus personagens e as atitudes deles no livro?
KB: Ah, vários! Mas acredito que isso acontece com todos os escritores e nós provavelmente não percebemos na maioria das vezes. Por exemplo, eu lutei contra depressão e Distúrbio de Estresse Pós Traumático e posso escrever sobre esses assuntos com uma perspectiva mais pessoal.

BM: Pode nos contar um pouco sobre como é o seu processo criativo de escrita?
KB: Eu sou bem bagunceira. Eu começo com um personagem que eu gosto que tem um problema; começo a descobrir o plano de fundo da história, o cenário, e então começo a escrever. Então, eu tenho que reescrever de novo e de novo e de novo para conseguir uma história de verdade. É uma bagunça, mas isso acaba me dando tempo para pensar bem no que eu quero que aconteça. Eu precisei fazer 6 revisões para A Guerra que Salvou a Minha Vida, mas o que me custou mais foram os primeiros capítulos que eu demorei para chegar no que queria.

Clique aqui para ler o primeiro capítulo do livro

BM: Qual foi a parte mais difícil de escrever A Guerra que Salvou a Minha Vida?
KB: O mais difícil foi acertar o começo do livro. Encontrar a voz da Ada, o jeito que a história seria contada. A questão do livro é que essa criança [Ada] está em uma prisão e a guerra a liberta; então tinha que ser uma situação bem ruim para que pudesse ser um alívio quando ela saísse, mas ao mesmo tempo não poderia ser ruim demais senão ninguém iria querer ler. Acertar esse ponto, os dois primeiros capítulos em que você [o leitor] quer que a história continue e ao mesmo tempo entenda o quão ruim era a vida da Ada foi bem difícil.

BM: Nós conhecemos a Ada em um momento histórico muito delicado em um ambiente hostil. Como foi escrever a perspectiva de uma criança em uma situação assim?
KB: Crianças tem tão pouca experiência de vida que eles tendem a ver tudo o que acontece como normal e universal. Eles não fazem comparações porque eles não tem uma base para comparar; isso é real principalmente para crianças em situações difíceis. Um dos jeitos que você pode trabalhar isso é contar tudo o que acontece de um jeito bem direto e cru.

BM: Seu primeiro livro foi publicado em 1998, certo? E você sempre escreveu para um público jovem. Você sentiu uma mudança ou diferença nos últimos 5-10 anos no jeito que os autores se conectam com os leitores – especialmente os jovens?
KB: Sim e eu acho isso incrível. Uma vez, uma escola de inglês da Mongólia me ligou no Skype para conversar sobre meu livro. Eles só tinham uma cópia e ficavam passando de mão em mão – foi algo muito legal – e aqui mesmo nos EUA, graças à Internet, eu consigo conversar com escolas e lugares que eu não conseguiria visitar. Eu gosto muito e acho ótimo para as crianças. Eu adoraria ter tido essa chance quando eu era criança.

BM: Você acha que autores de grandes séries como J.K. Rowling e Rick Riordan abriram portas para mais crianças e adolescentes se interessarem por livros e literatura?
KB: Eles foram ótimos, mas o que eu acho que eles realmente fizeram foi abrir a possibilidade de escrever livros maiores. Antigamente as editoras diziam “isso é muito grande para essa faixa etária, eles não vão ler”. Bom, depois de Harry Potter e Rick Riordan… os livros são bem grandes e as pessoas lêem tudo e isso nos ajudou muito, como autores. A Guerra que Salvou Minha Vida é um livro grande e talvez ele não fosse publicado antes por causa do tamanho, mas eu não poderia ter contado a mesma história em menos páginas. Então, sim, eu sou bem grata à eles por isso.

BM: Você sente que continua empolgada e apaixonada por escrita do mesmo jeito de quando seu primeiro livro foi publicado ou quando fez a primeira aula sobre literatura infantil na faculdade que te motivou a começar a escrever?
KB:Acho que é um sentimento diferente e, de algum jeito, melhor agora porque eu tenho mais habilidades. Eu continuo animada para escrever e agora eu tenho as ferramentas para escrever as histórias que eu quero. Eu sou uma escritora muito melhor do que eu era 20 anos atrás e isso é motivador, com certeza; mas acho que todo mundo pode ser um(a) escritor(a), só continuem escrevendo. Contem as histórias, isso que importa.

BM: O que você achou da edição brasileira do livro?
KB: Eles [DarkSide] fizeram um bom trabalho. Na minha opinião, a capa transmite exatamente a sensação e sentimento do livro e isso me deixa muito feliz porque significa que eles realmente entenderam a história.

BM: Se a Ada vivesse no nosso mundo e nos dias de hoje, com o que você acha que ela trabalharia? Um emprego padrão de escritório, blogueira/criadora de conteúdo, no ramo acadêmico, etc?
KB: Acho que a Ada no mundo de hoje estaria no meio acadêmico, sendo uma professora, talvez. Eu imagino que ela teria algum interesse esotérico estranho como samambaias ou cerâmica Maia, algo nessa linha.

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Compartilhe com seus amigos e garanta o seu exemplar na pré-venda.

A GUERRA QUE SALVOU A MINHA VIDA

Ficha Técnica

Título: A Guerra que Salvou a Minha Vida
Autora: Kimberly Brubaker Bradley
Editora: DarkSide Books
Páginas: 240
ISBN: 9788594540263
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