Os brilhantes caminhos de Bidu

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“Eles foram tão felizes e sensíveis nesse caminho, que transformaram uma angustiante procura em algo terno, repleto de solidariedade e amizade verdadeira.” – Lelis

Lá e de volta outra vez, estou aqui para falar de mais um quadrinho do projeto Graphic MSP. Se encerramos com chave de ouro a primeira etapa do projeto com Piteco – Ingá, a estreia da segunda leva não deixou por menos.

Em Bidu – Caminhos (adicione ao Skoob) temos tantos acertos que vai ficar difícil listar todos nessa breve (talvez não tão breve) resenha, mas vou tentar descrever o mix de emoções que senti ao ler a visão de Eduardo Damasceno e Luís Felipe Garrocho do primeiro personagem do Titio Mauricio (saudades Bienal).

Todos nós sabemos da responsa que foi entregue a esses caras, algo que o próprio Mauricio reconheceu no prefácio da obra. Depois do sucesso de todas as graphics lançadas até então, a expectativa é sempre alta. Ninguém espera menos do que o que já estamos acostumados a receber do projeto. E para somar na carga, Bidu é “apenas” o primeiro personagem de todo o universo Mauricio de Sousa. E aqui já entra um acerto da dupla: pode-se dizer que Bidu é a primeira história de origem das graphic novels até agora, pelo menos no sentido mais literal da palavra.

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“O que vou contar é uma história comum, dessas em que algumas coisas dão certo e outras dão errado. Mas é a melhor que eu tenho. É a história de como conheci o meu melhor amigo… ou talvez seja a história de como ele me conheceu.” – Franjinha

A história de como Bidu e Franjinha se conheceram e todas as desventuras no meio do caminho é contada com traços e narrativa belíssimas. A história é bem simples e, como eu costumo dizer, “a simplicidade se avizinha a genialidade”. Bidu – Caminhos conversa com todos os públicos, de todas as idades, pois é sincero e humano. A obra nos traz todos aqueles sentimentos que tivemos quando ainda crianças assistíamos a filmes sobre amizades entre homens e animais (lembra de Lassie, Beethoven e Free Willy?).

A história é narrada pelo Franjinha, mas com foco nos maus bocados de Bidu. Ele está na rua, aparentemente abandonado pelos antigos donos, e parece sempre em busca de algo. Nem ele sabe o quê. E em contraponto, o Franjinha sabe muito bem o que ele quer: um cachorrinho. Bidu vai seguindo seu caminho e em meio a muitas confusões e sempre dá um jeitinho de sair das enrascadas (mostrando ser bem brasileiro). A história nos mostra que os caminhos e escolhas que tomamos são o que nos definem e moldam, para que possamos dar o devido valor ao que conquistamos no final de cada jornada. As últimas páginas quase me fizeram chorar (nota da editora Raquel no texto: EU CHOREI!).

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“SPLASH, POFT, ROONC, VOOSH, SHHHH, SCREECH!”

Apesar de tudo ser lindo, não tem como negar que o destaque fica em toda a parte gráfica. O trabalho artístico realizado nessa graphic novel é talvez o mais formidável até agora, e olha que os concorrentes são pesados. As cores da Cris Peter e o traço do Danilo no Astronauta, os desenhos incríveis dos Irmãos Cafaggi em Laços, o humor gráfico no traço dinâmico em Chico Bento e a poderosa técnica de aquarela do grande Shiko em Ingá. Em Bidu – Caminhos temos um traço leve e dinâmico, cores que me deixaram embasbacado e soluções gráficas que fariam Eisner suar pelos olhos.

Digo sem nenhuma demagogia que são raras as vezes que fiquei tanto tempo contemplando uma única página de um quadrinho, e com Bidu – Caminhos isso aconteceu duas vezes: (1) na cena do pôr do sol, onde fiquei admirando as cores, a paisagem e fui aos poucos sendo tomado por um sentimento bom, algo como uma felicidade nostálgica; (2) e de novo na cena da chuva, onde fiquei extremamente angustiado, num clima de melancolia por conta da carga dramática da arte somada ao momento da história.

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“Nessa hora foi engraçado. Eu queria uma coisa, e ele, outra. Então pegamos caminhos diferentes. Cada um do seu jeito. O que achava melhor. Mas acabamos ficando ainda mais perto um do outro.”

O grande show, a cereja do bolo, fica por conta dos ícones utilizados para representar as falas dos cães e as onomatopeias que fazem parte da história tanto quanto os desenhos e textos. Elas estão colocadas de forma extremamente orgânica, interagindo com cenário e personagens, fazendo-se parte essencial da narrativa.

Antes de finalizar quero deixar aqui uma indicação de um episódio do meu podcast, o Renegados Cast, onde entrevistamos Sidney Gusman, o editor chefe da Mauricio de Sousa Produções. Conversamos bastante sobre como foi realizar esse projeto e o que podemos esperar no futuro. Logo, logo vai ter um vídeo no nosso canal do Youtube onde converso com alguns autores do selo na festa de premiação do HQMIX.

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“Esta é a história de como conheci o meu amigo. Ela é cheia de voltas. E de problemas. Mas, no final, é uma história bem simples… sobre como a única coisa que faltava pra mim e pra ele, era nos encontrarmos”.

Sem mais delongas, só digo que Bidu – Caminhos é um trabalho lindíssimo e de um esmero ímpar. Nota-se a dedicação que a dupla teve para realizar o álbum com o nível de excelência que ele atingiu. E, quanto à narrativa, me pergunto se os autores usaram os próprios caminhos que levaram à sua amizade como base. Pra mim faz todo sentido e explica como essa história consegue ser tão verdadeira, sensível e tocante.

Ficha Técnica

Título: Bidu – Caminhos
Autores: Eduardo Damasceno, Luís Felipe Garrocho
Projeto Graphic MSP
Editora: Panini Comics
Páginas: 82
Ano: 2014
Skoob: adicione à estante

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