The Graveyard Book: Neil Gaiman e a importância da ficção

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Face your life
Its pain,
Its pleasure,
Leave no path untaken

Tudo começa no escuro. Uma faca e uma mão no escuro. Uma faca e uma mão que assassinam uma família inteira, mas que deixam escapar um singelo bebê engatinhando. Em uma dessas ironias bonitas da vida, o bebê escapa da morte engatinhando em direção à um cemitério, onde é adotado por um casal (de fantasmas, obviamente), após um grande debate entre todos os moradores do local, sobre se eles poderiam aceitar um vivo em sua casa. “Os mortos devem ser caridosos”, pede A Mulher de Cinza aos fantasmas, que aceitam aquele engatinhador como seu protegido.

Assim começa a história de Nobody Owens (literalmente batizado de “Ninguém”, pois “não havia ninguém como ele naquele local”), contada por Neil Gaiman em The Graveyard Book (publicado no Brasil pela Rocco com o título O Livro do Cemitério). Vencedor da Newbery Medal – provavelmente o mais importante prêmio de literatura infantil no mundo -, este é, pessoalmente, o meu livro favorito do Sr. Gaiman.

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If you dare nothing, then when the day is over, nothing is all you will have gained.

Aqui, Neil coloca todo o seu estilo pessoal numa clássica história de “coming of age” – as emocionantes obras sobre amadurecimento -. Nada mais próprio do autor do que colocar uma criança para ser criada em um cemitério. Acompanhamos a infância de Bod, como é chamado, rodeado por fantasmas de todos os tipos, de figuras históricas à bruxas queimadas na inquisição (bruxa essa, chamada Elizabeth Hempstock. O nome lembra alguma coisa?).

É recriada uma infância normal para o garoto dentro do cemitério, com uma escola montada pelos professores que lá jaziam, pais preocupados e um guardião que o ajudava e protegia. Eram amigos que Bod não encontrava entre os moradores do cemitério, todos velhos demais para ele – até mesmo as crianças mortas não conseguiam acompanhá-lo, uma vez que não seguiam o seu amadurecimento -. A amizade, Nobody encontrara na pequena Scarlett Perkins, humana, assim como ele, que visita com seus pais o cemitério/casa de Bod.

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‘I think . . . I said things to Silas. He’ll be angry.’
‘If he didn’t care about you, you couldn’t upset him,’ was all she said.

Com várias aventuras pelo cemitério e o retorno do homem da faca tentando completar o seu trabalho, The Graveyard Book é repleto de cenas contagiantes com as crianças, da mesma maneira que suas outras obras infantis, como Coraline e Os Lobos Dentro das Paredes. No entanto, esse livro tem algo a mais, um toque especial que torna a leitura emocionante e profunda. The Graveyard Book é quase uma aula sobre a vida. E isso é exatamente algo que podemos esperar de Neil Gaiman: mortos dando uma aula sobre a vida.

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You’re alive, Bod. That means you have infinite potential. You can do anything, make anything, dream anything. If you can change the world, the world will change. Potential. Once you’re dead, it’s gone. Over. You’ve made what you’ve made, dreamed your dream, written your name. You may be buried here, you may even walk. But that potential is finished.

O trecho citado acima é um dos mais significativos do livro. Bod em vários momentos se sente triste por não poder sair do cemitério, ou se sente estranho por ser o único vivo entre os mortos, e até mesmo por não ter muito bem os “poderes” que seus colegas tinham, como desaparecer ou flutuar. Mas Bod está vivo, e é isso que importa. Essa é uma história de autoconhecimento, sobre como passar por todas as diferenças que existem entre as pessoas. Em algum ponto da vida todos nós achamos que não pertencemos ao lugar onde estamos, não é mesmo? Achamos que não há ninguém igual a gente e que estamos sozinhos. Aqui, Gaiman nos mostra que mesmo na maior diferença imaginável, entre os vivos e os mortos, há como encontrar o seu lugar e essas pessoas que te completam.

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It’s like the people who believe they’ll be happy if they go and live somewhere else, but who learn it doesn’t work that way. Wherever you go, you take yourself with you. If you see what I mean.

Li The Graveyard Book em um desses momentos de isolamento e hoje tenho um carinho muito especial por essa obra. É certamente um daqueles livros que posso dizer que me mudaram um pouco, ajudaram-me a ver as coisas com mais clareza, entender o mundo melhor e me entender também. Gaiman tem o poder de, no meio das coisas mais absurdas, saber falar com uma precisão assustadora sobre a natureza humana. No caso desse livro, acho que ele encontrou os melhores personagens possíveis para a missão de criar um sentido para a vida: os que já viveram ela.

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You’re always you, and that don’t change, and you’re always changing, and there’s nothing you can do about it.

PS: No fim dessa versão em Inglês do livro tem a íntegra do discurso do Neil ao aceitar a Newbery Medal. Ele já é famoso por seus discursos incríveis, mas esse é um dos melhores. Fala sobre a importância dos livros na sua infância, sobre a importância das bibliotecas e, acima de tudo, a importância da fantasia para as crianças. Não encontrei nenhuma tradução, mas aqui tem a transcrição desse discurso. Vale a leitura!

Sorteio de uma camiseta do Neil Gaiman :)

O mês de aniversário do Neil Gaiman está sendo bem especial aqui no blog. Além da sequência de resenhas sobre várias obras do autor, sorteamos uma caneca temática do livro “O Oceano no Fim do Caminho” e agora é a vez de você tentar a sorte pra ganhar uma camiseta exclusiva que fizemos em conjunto com o Taboo Shop reunindo elementos das principais obras do autor. A promoção é válida do dia 18 ao dia 30 de novembro de 2013.

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Ficha Técnica

Título: The Graveyard Book
Autor: Neil Gaiman
Ano: 2008
Editora: Harper Collins
Gênero: Ficção infantil, Urban Fantasy
Páginas: 313
Skoob: adicione na estante

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Comentários

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22 comentários via blog

  1. Não tem jeito, Gaiman é rei!
    Acabei de ler “O oceano no fim do caminho” e ainda ta meio desconcertada. Um dia terei uma estante só dele <3

    E aliás, ótima promoção, camiseta linda!

    1. Ter uma estante só do Gaiman é o meu objetivo também! hahahaa. (Tô quase lá! :p)

      Os livros dele normalmente são precisam de um tempinho pra digerir mesmo, também passo por isso :)

  2. Ricardo comentou em

    Li esse livro bem recentemente acompanhado da leitura do próprio autor, que disponibilizou o livro inteiro em “audio-book” no seu site. Foi uma ótima leitura/audição, rsrs. Aquele trecho que você destacou, sobre ele estar vivo e sobre as potencialidades é meu preferido e o vejo como o cerne do livro, o resumão, se é que podemos falar assim. Leitura muito gostosa!
    Adorei a estampa da camiseta, tomara que eu ganhe!! \o/

    1. Também vejo esse trecho como a ideia principal do livro, é uma parte que até causa uns arrepios quando estás lendo, hehe.

      Preciso ouvir esse audiobook! Deve ser muito bom mesmo, o Gaiman narra muito bem.

  3. A faca veio com o livro? *-* Po, sempre ralo pra ler livros em inglês (mas claro que leio, mesmo com o esforço, não aguento esperar muito tempo pra eles sairem no Brasil), vc lê fluentemente?

    1. A faca veio diretamente da cozinha da Raquel Moritz, que tirou as fotos! rs

      No começo penei com esses livros também, agora já consigo ler mais tranquilo.Nesse caso do Graveyard Book, como ele é originalmente um livro infantil, a leitura é super fácil, mesmo em inglês.

        1. Aviso: Não tentem repetir essas fotos em casa, crianças.

          Aviso 2: Ninguém se feriu durante a produção deste post.

  4. joão gabriel comentou em

    Conheci o trabalho do Gaiman por Coraline e desenvolvi um afeto pela obra dele, pretendo ler mais livros da sua autoria, e o post do site já me ajudou a decidir por qual começar

  5. Fabiana Almeida comentou em

    Ahhhh meoooo!!!
    Bom, ganhei a caneca…será que minha temporada de sorteios felizes continua??? o.O

    Comecei “O oceano no fim do caminho” e o Gaiman “te pega” na 2ª página do livro… impressionante.

    Galera parabéns pelo mês do Pipoca!!! Incrível!!!

    Bjinhos :))

  6. Beatriz Calado comentou em

    Genteeeeeee, amei essas fotos, muito lindo o livro *o* I need! (tipo, com urgência haha)
    Adorei o livro ”O Oceano No Fim do Caminho”, quero muito ganhar a blusa agora. Nunca ganhei nada produção, acho que tá na hora disso mudar.

  7. Eu começei a muito pouco tempo em uma jornada de melhorar meus hábitos de leitura. E um dos autores que decidi enfrentar e ler de cara foi o sr. Gaiman, que já tinha vontade de ler a um tempão. E que maneira incrível de “começar a ler”. Começei com o primeiro Coisas Frágeis por indicação, e minha cabeça explodiu, que baita livro.

    Logo já corri atrás da segunda parte, e também de Filhos de Anansi para ler, e também estou com vontade de ler Deuses Americanos, que também me falaram super bem. Neil Gaiman é sem sombra de dúvidas um autor sensacional da nossa época!

  8. Lisi Locatelli comentou em

    Confesso que sou novata no “mundo Gaiman”, mas O Livro do Cemitério foi uma das primeiras obras dele que eu tive interesse em ler. O cara é demais. E a resenha tá ótima :D

  9. Thais Alves comentou em

    Adorei a resenha, mais um excelente livro do Neil que vai pra minha lista.

  10. Anna comentou em

    Ah, que camiseta linda! Adorei a resenha, esse livro ainda não li.

  11. Jandson comentou em

    Neil Gaiman é foda.

  12. Como sempre, as melhores mensagens são passadas do “jeito Gaiman”! rsrs
    Neil Gaiman é simplesmente único ao criar histórias tão belas e carregadas de pensamentos sobre a vida, em um universo lúdico que é acessível a todos, principalmente crianças.
    Ainda não conhecia este livro, mas a resenha me deixou curiosa… Quero saber o que acontece com o assassino, e as decisões que Bod tem de tomar.
    Leitura/experiência obrigatória!

  13. Moldador comentou em

    spoilers…

  14. Shadai comentou em

    Não conhecia esse livro, mas fiquei pasmo com a sensibilidade e imaginação fantástica do mestre Gaiman.

    aproveitando: muito sortudo quem ganhar essa camiseta.
    se eu usasse na rua ninguém saberia de quem se trata.