Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual

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Toda geração que passou até hoje por este planeta enfrentou uma série de angústias exclusivas, fossem guerras, fome ou crises existenciais. Felizmente, o cinema nunca ignorou esse fato e criou filmes melancólicos e ao mesmo tempo lindíssimos em torno dessa temática (até falei de um desses espécimes um tempo atrás: Educação, de roteiro do grande Nick Hornby). E Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual (ou Sidewalls, 2011), do diretor argentino Gustavo Taretto, se destaca não apenas por isso, mas por retratar de uma forma poética e delicada a crise que eu, você e todo mundo enfrentamos neste exato momento.

Mas como assim crise se eu tou bem de boa aqui só procurando por uma dica de filme bacana!? Haha, ‘bora lá.

A história se passa em Buenos Aires, mas poderia acontecer em qualquer outra grande cidade do mundo. Apesar de as pessoas se concentrarem cada vez mais nos grandes centros, ao mesmo tempo estão desconectadas de si e entre si. Basta repararmos em como nos comunicamos, em especial depois que a internet surgiu: nos ligamos ao mundo todo e também nos tornamos extremamente solitários. O personagem principal do filme, Martín, um webdesigner, diz “há mais de 10 anos sentei em frente ao computador… e tenho a sensação de que nunca mais levantei”. Quem nunca?

Mariana, uma arquiteta que não consegue trabalhos na própria área, também se sente isolada. Assim como Martín, saiu de um relacionamento longo e raso, que não lhes deixou nada senão uma sensação de vazio e perda de tempo. Cada um a seu modo, os dois tentam estabelecer conexões com outras pessoas, mas nenhuma funciona. No fundo, um procurava pelo outro e era tudo o que precisavam. Moravam até na mesma rua, se cruzaram algumas vezes… mas o que é realmente necessário pra reconhecer  no meio da multidão a quem precisamos se não sabemos como ela/ele se parece?

Medianeras é isso: uma história sobre encontros e desencontros, esperanças e tristezas, o ritmo da vida. Se você estiver na sua segunda década de vida, a chance de se identificar é ainda maior. E, mais importante que isso, de terminar o filme com o coração um pouquinho mais aquecido e confortado: ele mostra que cada geração tem as suas angústias, mas também as suas delícias.

Nota 1: o filme traz uma porção de referências interessantes, que vão desde arquitetura, animação, passam por Onde Está Wally? e culminam na singela música do Daniel Johnston que serve de trilha de uma das cenas e do trailer (acima). Vale a pena ouvir e prestar atenção na letra!

Nota 2: e afinal, o que é uma medianera? Todos os prédios tem um lado “inútil”, que não dá para a frente nem para o fundo,  normalmente utilizado como espaço para propagandas. Essa é a “medianera” e o principal símbolo da história. Mais do que isso é pecado explicar aqui. Veja e nos conte se curtiu! ;)

Ficha Técnica
Título: Medianeras – Buenos Aires na Era do Amor Virtual (Medianeras)
Diretor: Gustavo Taretto
Gênero: Drama, Romance
Duração: 95 minutos
Ano: 2011

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Comentários

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4 comentários via blog

  1. Afonso comentou em

    Esse filme é excelente!!!

  2. Natalia comentou em

    Espetacular. Moderníssimo