A Turma, estreia literária de Alissa Grosso, é superficial, mas inteligente

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Então que eu tava vendo aquela lista de sick lits da Veja (perdi a conta de quantas vezes mencionei essa lista aqui no blog) e achei o livro A Turma lá no meio. Fiquei interessada e fui atrás. A Turma é um livro com um ótimo argumento, mas cansativo, e vou te explicar o motivo.

Hanna Best é uma garota super idolatrada no seu colégio, que escolheu suas melhores amigas a dedo para acompanhá-la no caminho da popularidade. Hanna é quem organiza as festas mais badaladas e suas listas de convidados são lei no colégio em que estuda. Todo mundo quer estar lá para provar um pouquinho da “fama”.

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O livro é dividido em duas partes: “A Turma” e “Alex”. Ao longo da primeira parte do livro, revezamos o olhar em primeira pessoa entre Hanna e as amigas no seu dia a dia colegial: Olivia é ácida e divertida e está apaixonada por um garoto do time de futebol; Patricia é uma garota tímida que passa bem despercebida; Gilda é uma antissocial que vive mal humorada; e Sheila é uma vaca retardada que adora ofender as pessoas que não tem serventia pra ela, além de ser ultra rica e mimada. Todas se sentem honradas por fazer parte da Turma, mas ao mesmo tempo, odeiam a forma como Hanna lidera e decide tudo.

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Os capítulos nos permitem conhecer as perspectivas e desejos de cada uma das meninas. Quem gosta de quem, quem fala mal de quem, quem quer derrubar quem, quem não sabe o que tá fazendo nessa terra, etc.

Com o fim do ensino médio de aproximando, Hanna está preocupada (demais) com o fato de que fora do colégio, ela não é ninguém. E não demora pra gente perceber que tem algo errado no grupo: do nada, as quatro meninas começam a brigar entre si, e consigo mesmas, porque querem arranhar a imagem da sua líder antes que o ensino médio termine. A gente percebe que, no fim das contas, elas se merecem porque são bem parecidas e desejam as mesmas coisas: popularidade e o namorado da Hannah.

Aliás, o namorado de Hanna, Alex, é um personagem importante pra trama: ele conhece a garota melhor do que ninguém. Desengonçado e introvertido, ele está sempre lá pra ajudar as garotas, mas a super sensibilidade dele com tudo chega a irritar. Ficou chato, ficou forçado.

E o sick lit, cadê?

Agora, e o sick lit?, você me pergunta. Bom, embora isso não seja mencionado direito na Parte I, Hanna tem algum problema e as pistas no texto até nos fazem cogitar possibilidades.

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A Culpa é das Estrelas | Extraordinário | As Vantagens de Ser Invisível | O Lado Bom da Vida

A autora perde muito tempo (197 páginas, pra ser precisa) falando de festas e lidando com questões sociais das meninas populares e parece que lembrou a que veio apenas nas últimas páginas, deixando a história toda atropelada, para ser resolvida na Parte II, narrada pelo Alex.

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Quando o segredo de Hanna vem à tona, ao invés de aproveitar o pouco espaço para dar um desfecho embasado à história, Alissa Grosso opta por recontar algumas passagens que já estão interpretadas na mente do leitor. Ainda assim, ela conseguiu trazer um fechamento interessante.

[Se você quiser saber o problema de Hanna, leia a resenha que postei (marcada como spoiler) no Skoob.]

O argumento do livro é bom, e uma leitura dinâmica pode vir a calhar se você achar tudo muito chato de início. É uma pena que o que realmente importa tenha sido tratado com tanta rapidez e superficialidade.

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Me senti um pouco frustrada com a leitura de A Turma mas, no fim das contas, me surpreendi com a conexão das pistas: as garotas, as traições, as discussões, até os sobrenomes e a “ordem de chegada” das meninas na vida da Hanna.

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Em resumo, a história como um todo valeu a pena, foi apenas a escrita prolixa da Alissa que incomodou. Espero que não fiquem chateados por eu não compartilhar o segredo de Hanna, mas o Alex se esforçou por muito tempo pra isso, e não queria ser eu a entregá-lo. ;)

Ficha Técnica

Título: A Turma
Autora: Alissa Grosso
Ano: 2013 (original: 2011)
Editora: Gutenberg
Gênero: Sick Lit
Páginas: 286

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Comentários

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10 comentários via blog

  1. Oi Raquel! O ruim de escritas prolixas é que sempre deixam algo sem ser dito enquanto perdem tempo com repetições desnecessárias. Fazer isso sem ficar massante exige muita técnica (acho que só encontrei isso no Murakami).

    Que bom que te tudo a abordagem foi interessante… As fotos estão lindas como sempre!

    Bjs, Isabela.

    1. Oi Isa!

      SIM, repete, repete, repete, repete, e o que realmente importa fica em segundo plano. Foi isso o que mais me cansou na história, mas gostei tanto do argumento principal que acabei gostando, bem no finalzinho. Que bom que você curtiu as fotos, eeeee \o/

      Beijo, flor!

    1. Pois é, Juli, bem cansativo. Que bom que tem mais uma pá de livro bom nesse mundo, né? :) Xoxo ;*

  2. Poxa Quel, não consegui sentir o tom de “sick lit” pela resenha. Talvez a forma de narrativa da personagem tenha esse aspecto. Pela sua resenha confesso que não me animei pra ler esse livro, acho que até vou tirá-lo da minha wishlist, hehehe.
    Eu vi a lista da Veja e, sei lá, tem alguns ali que não vejo como sick lit (Um amor para recordar, por exemplo).
    Enfim, vai lá saber… Estou louca pra começar Extraordinário! \o

    Beijos!

    1. Oi, Jeh!

      Bem isso, eu fiquei um tempão me perguntando onde estava o “sick” da obra, mas ele só se revelou mesmo no final, confirmando às suspeitas bem rasas que eu tinha. Diferente de Extraordinário, que te mostra o problema e mostra como o personagem o enfrenta. Fique com Extraordinário na lista, é uma escolha melhor :)

      Beijinho!

  3. Silvana Crepaldi comentou em

    Não conhecia esse livro ainda. Fui lá no skoob ver qual era o problema. Você deveria ter dito pois fiquei mais interessada quando vi o que era hehehhehe

    http://blogprefacio.blogspot.com.br/

    1. Ai Sil, fiquei bem na dúvida, viu. Escrevi, reescrevi, apaguei, escrevi de novo e optei por não dar spoiler. O livro é maçante, mas o problema de Hanna faz com ele seja tolerável e interessante, sob certo ponto de vista. Concorda comigo que deveria ter mais espaço pra isso no livro? :P

      Beijoca!